O futuro
da reciclagem
é descentralizado

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Para contar a história da Casa Plastica, vamos começar lembrando de uma outra casa. Aquela casa muito engraxada, que não tinha teto, não tinha nada. Na década de 70, quando Vinícus de Moraes escreveu o poema que virou a clássica canção infantil na voz de Toquinho, ele a compôs de presente para as filhas de Carlos Paez Vilaró.

O artista plástico estava construindo a partir de suas próprias mãos desde 1958 na costa do Uruguai. Uma casa que cada visita trazia novos cômodos e ambientes, em uma construção intuitiva, apaixonada e bem estruturada que levou 36 anos para ficar pronta. A "escultura habitável" primeiro foi concebida como casa de verão, atelier e ponto de encontro dos amigos do artista e depois se transformou na Casapueblo, que abriga museu, galeria de arte, hospedagem, e so parou de ganhar novas formas em 2014, com a morte de seu criador.

A obra da vida de Vilaró, hoje um legado visitado por milhares de pessoas, nasceu do sonho do artista e então tomou sentido coletivo. Uma obra infinita, que Vilaró não desejava terminar porque viv-la em seu processo e construção de propósito compartilhado virou seu próprio motivo de ser. Exatamente como esta casa aqui, a Casa Plastica.

A IDEIA

A IDEIA

Quando Pedro Lucas pensou em construir uma casa feita de resíduos plásticos, o sentido era pessoal. Entre os sete anos que viveu na Ásia, viu surgir grandes questionamentos internos. A bordo de uma moto datada entre 1960 e 1970, herança da Guerra do Vietnã, ele percorreu países do continente entre voluntariados.

Mas foi a experiência de trabalhar como inspetor de fábrica na China que o fez questionar seu papel na cadeia. De grandes cidades a pequenas vielas, avaliava desde o funcionamento de grandes máquinas, o estado das fábricas e as condições de trabalho até as cargas de produtos. Era do seu olhar que partiam decisões de interromper contratos ou intensificar a produção.

Vendo cargas inteiras sendo rejeitadas e descartadas de um lado e, de outro, mais e mais produção e consumo sendo incentivado, Pedro se sentiu responsável e viveu um dilema. E foi voluntariando em uma escola no Camboja, enquanto estava em uma casinha construída em madeira com sobras de skate, que sonhou pela primeira vez com uma casa toda feita de lixo plástico.

Assim nasceu a ideia original da Casa Plastica.

A Ideia A Ideia A Ideia A Ideia A Ideia
FEITA COM ENGRENAGEM E CÂMBIO DE MOTO, PEÇAS RECICLADAS, ENCONTRADAS COM A AJUDA DE VIETNAMITAS E CHINESES, MAIS PARECIA UMA MÁQUINA SAÍDA DE MAD MAX.

A Primeira
Máquina

Já eram mais de seis anos viajando pela Ásia. Com recursos financeiros limitados, Pedro precisou tomar uma decisão: continuava mochilando ou pegava tudo que tinha e construía uma máquina para testar a possibilidade de criar barras e placas de plástico reciclado: a base estrutural para construir uma casa plástica.

Foi ali então, enquanto ensinava Chinês e Inglês para a molecada em meio à mochila, que Pedro construiu a primeira máquina. A essa altura, por volta de 2017, era um sonho com uma máquina improvisada. Mas como chegar lá?

A virada de chave foi fabricar a primeira barra em um processo simples de calor e pressão durante sua passagem pela região do Mekong. Quando o material ficou pronto, ele decidiu: era isso que faria dali em diante. De volta ao Brasil, encontrou no projeto a origem simbólica de construir uma casa com plástico coletado nas praias de Saquarema.

A Primeira Máquina detalhe

O SONHO
DE UMA
CASA

A virada de chave para Pedro foi fabricar a primeira barra em um processo simples de calor e pressão durante sua passagem pela região do Mekong. Quando o material ficou pronto, ele decidiu: era isso que faria dali em diante. De volta ao Brasil, encontrou no projeto a origem simbólica de construir uma casa com plástico coletado nas praias de Saquarema.

Um gesto de retorno à comunidade onde cresceu e um meio de provar pela prática o potencial do material que costuma virar lixo. Catava resíduos na praia (chegou a coletar sozinho mais de uma tonelada em um ano) enquanto uma rede de pessoas o ajudava, por meio de financiamento coletivo, a dar os primeiros passos e consolidar a primeira etapa de pesquisa.

ESTRUTURA

VALORES

A Casa se sustenta numa fricção produtiva entre concepção e execução. É assim que a missão de descentralizar se materializa: reduzindo tamanho e custo de maquinário, simplificando manutenção, qualificando quem opera.

NO DESENHO INSTITUCIONAL, ESTELA E PEDRO SE COMPLEMENTAM.

Ela, cofundadora e CEO, estrutura a organização, decide prioridades de investimento, cuida da estratégia, curadoria e desenho de programas educacionais. Ele, fundador e responsável técnico, projeta e constrói máquinas, adapta processos e opera oficinas.

Os papéis, porém, não são estanques. Foia visão de produto de Estela que gerou o maquinário ícone do momento. Foi a mão de Pedro que tornou essa visão executável, no detalhe de motor, torque, lâmina, temperatura, pressão.

A Casa se sustenta nessa fricção produtiva entre concepção e execução, é assim que a missão de descentralizar se materializa: reduzindo tamanho e custo de maquinário, simplificando manutenção, qualificando quem opera, e dando repertório para que qualquer instituição ou pessoa crie a própria solução, da coleta e triagem ao produto final.

Visão Execução

PROPÓSITOS

Descentralizar a reciclagem por meio de tecnologia acessível e educação. Formar redes locais autônomas que transformem plástico em produtos úteis e aprendizado.

Propósitos Propósitos

DE
NÔMADES
À NOMAD

PEDRO, DESENHA UMA MÁQUINA QUE CABE NUMA MOCHILA!

A história entre os dois, desde tempos de pandemia até a chegada da Lima, também reorganizou prioridades. Houve o período nômade de viagens pelo Brasil, conectando-se a espaços Precious Plastic na Bahia, em Florianópolis e Porto Alegre. Enquanto estavam em Florianópolis, um dia Estela olhou para uma cafeteira, teve a ideia e propós o desafio decisivo:

A partir dessa intuição nasce a linha Nomad, um maquinário portátil, silencioso, de baixo consumo, pensado para laboratórios de escolas, espaços comunitários e demonstrações in loco, com módulos que permitem triturar e moldar resíduos domésticos. A partir de 2022, a maternidade se entrelação com o desenvolvimento. Pedro passa madrugadas prototipando, a carcaça ganha forma com impressão 3D e o projeto é aprovado em edital do Programa Centelha, que financia o avanço rumo à comercialização. Em paralelo, a Casa Plastica é reconhecida entre as "Mil Startups Mais Inovadoras do Brasil" pelo Prêmio Sebrae Startups, especialmente por causa do princípio de inovação que a Nomad encarna: tornar a reciclagem viável em pequena escala, com autonomia e simplicidade de operação. Na prática, descentralizar a reciclagem.

ESTRUTURA

VISÃO E
EXECUÇÃO
COMPLEMENTARES

NO DESENHO INSTITUCIONAL, ESTELA E PEDRO SE COMPLEMENTAM.

Os papéis, porém, não são estanques. Foia visão de produto de Estela que gerou o maquinário ícone do momento. Foi a mão de Pedro que tornou essa visão executável, no detalhe de motor, torque, lâmina, temperatura, pressão.

A Casa se sustenta nessa fricção produtiva entre concepção e execução, é assim que a missão de descentralizar se materializa: reduzindo tamanho e custo de maquinário, simplificando manutenção, qualificando quem opera, e dando repertório para que qualquer instituição ou pessoa crie a própria solução, da coleta e triagem ao produto final.

Visão Execução

LINHAS DE
MAQUINÁRIO

Os produtos e serviços da Casa se organizam em linhas e experiências. Nas linhas de maquinário, há quatro frentes: Nomad, Lab, Workspace e Customizadas.

A linha NOMAD cabe em uma mochila. Portátil, silenciosa, consumo aproximado de 400 Watts (como um computador ou celular), pesa cerca de 10 quilos. Foi pensada para processar aproximadamente 1 quilo de plástico por dia e é operável em escolas, pequenas oficinas e ações educativas. Com visão modular e maleta de módulos para todo o processo, tem inovação reconhecida e está em processo de patente.

A linha LAB compõe o meio de campo. Máquinas que pesam pouco mais de 30 quilos, tem consumo em torno de 1 kWh, capacidade diária entre 1 e 3quilos de plástico. São adequadas para laboratórios e ambientes fixos, ainda que transportáveis.

A linha WORKSPACE atende demandas robustas. Capacidade de aproximadamente 5 quilos/dia, consumo por volta de 3 kWh, motores entre 3 e 5 cavalos. Com peso próximo do 80 quilos, é mais estacionária.

As CUSTOMIZADAS são desenhadas sob demanda. A Casa também desenha máquinas conforme a necessidade do parceiro. Já desenvolveu, por exemplo, uma trituradora para redes de pesca e boias (maior potência de trituração); e a Mexerica Navegante, equipamento dois em um (triturar + extrusar), acoplável e com proteção contra umidade (inoxidável), que se movimenta de barco entre comunidades da Ilha Grande, transformando material in loco.

Visão e Execução Visão e Execução
PRODUTOS

EXPERIÊNCIAS

A Casa não entrega só máquinas, mas também experiências. Cada projeto envolve consultoria, desenho de trilhas educacionais, oficinas, formação de equipes e acompanhamento para que a instituição parceira opere com segurança e autonomia.

A arquitetura do serviço considera variáveis locais: quem vai operar, qual o resíduo disponível, que produto se quer gerar e qual a capacidade de investimento. A partir dessas respostas, define-se a solução técnica e educativa.

A prioridade é o treinamento e a segurança de quem vai operar para que a máquina cumpra o fim para o qual foi criada, etapa que a Casa Plastica considera inegociável para que o processo seja sustentável ao longo do tempo e faça sentido em seu propósito de reduzir impacto.

Linhas de Maquinário Experiências Experiências Linhas de Maquinário Experiências
PROJETOS

MARULHO

COM A MARULHO, DESENVOLVEU A TRITURADORA PARA REDES DE PESCA E REALIZOU OFICINAS COM A BRIGADA MIRIM, ABORDANDO O PROBLEMA DAS REDES E DEMONSTRANDO A TRANSFORMAÇÃO DO MATERIAL.

Com a Marulho, desenvolveu uma trituradora específica para redes de pesca, material notoriamente difícil de processar, e realizou oficinas com a Brigada Mirim, abordando o problema das redes e demonstrando a transformação do material.

Marulho Marulho Marulho
PROJETOS

RECICLA VISÃO

A CASA PLASTICA ATUA COMO PARCEIRA TECNOLÓGICA E EDUCATIVA EM PROJETOS PARCEIROS.

Em parceria com a Precious Noggles, com investimento da comunidade web3 Nouns e participação da empresa 2.5 Social Visão do Bem, a Casa Plastica fez a coordenação de reciclagem no projeto Recicla Visão, que faz avaliação de acuidade visual em mais de dez ONGs de comunidades do Rio de Janeiro, trituração e transformação de plástico em armações, com a meta de mais de mil óculos doados. Nessa frente, além de consultoria técnica, a Casa realiza workshops nas entregas para mostrar o funcionamento das máquinas.

Recicla Visão Recicla Visão

SOMOS NATUREZA

Na Ilha Grande, desenvolveu a Mexerica Navegante, oficina de reciclagem e formação de voluntários. Produz mobiliário escolar — bancos, mesas, lixeiras — feitos de plástico, coorganiza Fórum de Sustentabilidade da Ilha Grande, que chegou a sua terceira edição em 2025. A Casa Plastica assume também a curadoria e a dinâmica do evento.

PLASTIQUERIA

BASE OPERACIONAL E REMUNERAÇÃO JUSTA

A PLASTIQUERIA É HOJE A CASA OPERACIONAL DO PROJETO EM SAQUAREMA.

É um espaço de produção, demonstração e recebimento de resíduos trazidos pela comunidade. Na parceria com uma cooperativa de mulheres e mães solo, a Casa Plastica remunera o plástico coletado por um valor dez vezes maior que o preço de mercado, como gesto de valorização do trabalho de quem separa e limpa, e como estímulo prático à circulação do material com dignidade.

Atribuir valor justo ao serviço e à matéria é ativismo que praticam no cotidiano.

Plastiqueria

É um espaço de coleta, triagem, processamento. Local de acolhimento e aprendizado para pessoas das comunidades. Na parceria com uma cooperativa de mulheres e mães solo, a Casa Plastica remunera o plástico coletado por um valor dez vezes maior que o preço de mercado, como gesto de valorização do trabalho de quem separa e limpa, e como estímulo prático à circulação do material com dignidade.

Plastiqueria Plastiqueria
PROCESSOS

PROCESSO
TÉCNICO

No campo técnico, o processo que a Casa Plastica oferece replica, em escala reduzida e acessível, o que a grande indústria faz: triturar (converter o resíduo limpo e seco em matéria-prima granulada), aquecer e moldar (via forma, injeção ou extrusão) e dar forma a barras, placas ou objetos conforme a necessidade.

O foco está nos termoplásticos, especialmente polipropileno (identificado pelo número 5) e polietileno (número 2), que são abundantes no cotidiano doméstico e nas praias, mais seguros para o processo que utilizam e de fácil remoldagem em baixa temperatura.

Materiais como PET, mais indicados para fibra; e PVC, que emite gases tóxicos quando derretido: não integram o escopo da Casa Plastica. Essa seleção técnica, somada à triagem por tipo e cor, permite resultados consistentes em produtos de estética própria.

Processo Processo Processo Processo Processo

ATIVISMO
CONSCIENTE
E REGENERATIVO

AQUILO NO QUE ACREDITAM APARECE NAS AÇÕES, SEM SLOGAN: É PRÁTICA.

Eles definem como ativismo consciente e regenerativo a combinação entre tecnologia acessível, educação e formação de redes locais. A intervenção tem via dupla. É concreta, quando uma comunidade limpa uma praia; e cultural, quando uma criança vê o plástico virar o molde em forma de barra, e começa a imaginar que poderia fazer aquilo em casa, na escola, na sua comunidade.

Foi vendo isso acontecer na prática que Estela se deu conta do impacto real da Casa Plastica. Em uma escola da Ilha Grande, acessível a 40 minutos de barco, entre barulho, excitação, máquina ligada e o plástico virando barra, viu um grupo de mais de 50 crianças tendo ideias próprias sobre aquele processo. "Eu posso fazer isso", "da para transformar nisso", diziam. Era a mudança de percepção acontecendo em tempo real.

A aposta é nessa cadeia de pequenos deslocamentos que, somados, alteram hábitos e decisões. Ao mesmo tempo, há nos espaços públicos a resposta da Casa é manter o eixo na educação. Não há resultado rápido quando se trata de reeducar o gesto cotidiano.

TERRITÓRIO
HORIZONTE
EM EXPANSÃO

O MAR E O TERRITÓRIO SÃO REFERÊNCIAS CONSTANTES

Saquarema é a base e pulsa na rotina do projeto, enquanto a expansão se dá por redes e parcerias, como a Ilha Grande e em outras cidades onde oficinas e máquinas foram implantadas.

O território, no entendimento da dupla, não é um cenário. É o sistema que norteia o que fazem, definindo que tipos de resíduos chegam, quem pode operar, que produto tem relevância naquele contexto e como se compartilha conhecimento de maneira orgânica.

A Casa Plastica se organiza para que cada lugar desenhe sua própria solução, em vez de importar respostas padronizadas.

CONSOLIDAÇÃO

CONSOLIDAÇÃO

ESTÁGIO ATUAL: CONSOLIDAÇÃO E EXPANSÃO RESPONSÁVEL.

NOMAD

Prototipagem avançada, patente em curso. Reconhecida entre as "Mil Startups Mais Inovadoras do Brasil" pelo Prêmio Sebrae.

LAB · WORKSPACE · CUSTOMIZADAS

Atendem projetos, escolas, comunidades, ONGs. Consultoria tecnológica e educativa. Trilhas educacionais, oficinas, acompanhamento contínuo. Nunca o produto isolado, sempre o processo completo.

HORIZONTE

Ampliar capacidade mantendo dimensão humana. Plastiquerias em rede: coleta, triagem, transformação próximo de quem gera. Meta clara de escala, modo que convida participação.

Consolidação Consolidação Consolidação

UMA
CASA
DE
PORTA
ABERTA

Uma Casa
de Porta
Aberta

A referência vem de imagem latino-americana: Casapueblo, Vilaró. Construída por décadas, estrutura virou propósito compartilhado. Uma casa que cada visita trazia novos cômodos e ambientes, em uma construção intuitiva que levou 36 anos para ficar pronta. A "escultura habitável" foi concebida como casa de verão, atelier e ponto de encontro dos amigos do artista. Depois se transformou na Casapueblo, que abriga museu, galeria de arte, hospedagem, e parou de ganhar novas formas em 2014, com a morte de seu criador.

Pedro não tem pressa de "terminar". Interessa processo vivo que cresce com Estela, filha, trabalho. Reparte com quem chega: parceiros, escolas, ONGs, comunidades. Casa que se faz de gente, aprendizado e material que, com técnica, cuidado, intenção, inovação, volta a ser possibilidade.

Casa Plastica segue em processo. Soma entre sonho e trabalho, metas claras, modo que convida participação.

RESUMO

PARA QUEM
CHEGA AGORA

Casa Plastica: organização em Saquarema, Estela Rocha + Pedro Lucas Pinho. Enfrentam plástico com descentralização, educação, processo. Máquinas + metodologia + autonomia. Projetos Somos Natureza, Marulho, Recicla Visão. Plastiqueria. Remuneração justa. Redes locais. Meta clara de escala, modo que convida participação.

QUEM

Estela Rocha — CEO, cofundadora. Pedro Lucas Pinho — fundador técnico.

PRODUTOS

Nomad, Lab, Workspace, Customizadas. Desde máquinas portáteis a equipamentos para comunidades da Ilha Grande.

SERVIÇOS

Consultoria, trilhas educacionais, oficinas, formação de equipes e acompanhamento. Nunca o produto isolado, sempre o processo completo.

MISSÃO

Descentralizar reciclagem. Redes locais autônomas. Plástico do mar em aprendizado. Empresa de sustentabilidade + educação.

O futuro da reciclagem é descentralizado

@casaplastica  ·  www.casaplastica.com.br  ·  projetocasaplastica@gmail.com